Por que Índios em lojas de charutos?

Quem fuma charutos com certeza já notou a tradição estrangeira de se manter índios norte-americanos em tamanho humano na entrada das lojas especializadas ou tabacarias. Já se perguntou qual o motivo?

Tudo bem que não temos essa tradição por aqui, mas é difícil acreditar em quem diga que nunca viu um desses nem em filmes. Me lembro do filme Creepshow 2, um clássico do cinema trash do diretor Michael Gornik. Uma das histórias contadas no filme fala sobre um índio de loja de charutos que é desrespeitado por um grupo de arruaceiros e depois sai matando um a um, oferecendo aquele bom e velho banho de sangue em vingança.

Mas de onde vem essa tradição?

No século 17 estas estátuas em tamanho natural foram criadas não de maneira decorativa, mas com objetivo de sinalização, informando a natureza daquele estabelecimento e o classificando como comércio de tabaco. Ao contrário do que pensamos, esta prática não foi criada pelos americanos e sim pelos europeus, que começaram a utilizar os índios  da mesma forma que os demais estabelecimentos eram sinalizados, com alguma referência visual para se comunicar com o público de uma maioria analfabeta.

A referência entre charutos e índios norte-americanos foi criada quando no século 17, o britânico Sir Walter Raleigh trouxe para a Europa o tabaco americano, que conhecera durante as explorações de colonização  na Virginia. Sua descrição dos índios provavelmente se referiam aos da tribo Croatan, com os quais não tiveram muito contato, o que levou às lojas de tabaco a construírem figuras distintas e fantasiosas que mais pareciam escravos negros utilizando cocares enormes. Isto fez com que as esculturas fossem chamadas de “Black Boys” ou de “Virginia”. Com o passar dos anos a figura tornou-se mais autêntica e quando finalmente a prática chegou à América no final do século 18, (embora muitas vezes estilizadas) as estátuas poderiam ser chamadas de índios. A partir daí a tradição se propagou principalmente entre os americanos.

Hoje em dia os Índios de Tabacaria obviamente  são menos necessários e sua utilização é meramente decorativa. Variáveis como leis de obstrução de calçadas, altos custos de produção, restrições nas propagandas de tabaco e até mesmo questões raciais se tornaram empecilhos para muitas lojas que praticam ou pretendem praticar esta tradição.

 

 

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Amante das baforadas mais encorpadas há mais de 15 anos, Denis Neto também é designer, marqueteiro, ilustrador e empresário que está à frente da Boxis. Defensor dos modos mais loucos e simples da degustação, caga e anda para muitas das etiquetas e formalidades que envolvem o tão requintado rito de fumar um bom (ou ruim) charuto.


Os Boêmios 2016. Degustação complexa do modo simples.

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