Charutos ou cigarros?

Qualquer aficionado já foi questionado pelo menos uma vez sobre os motivos que o levam a fumar charutos. Uns dizem que curtem a degustação ou o relaxamento ao praticarem o hobby e outros, simplesmente se defendem colocando os charutos como menos prejudiciais do que cigarros.

Seria no mínimo injusto comparar cigarros com charutos e tratar tudo que é fumante como “fumante”. A palavra é muitas vezes utilizada de modo pejorativo associando a pessoa que fuma cigarros, charutos ou cachimbos à imagem de dependentes químicos que encontram no vício uma maneira de aliviar o stress. Por isso, vou tratar cada item deste tópico da maneira distinta como deve ser tratado.

O cigarro é um dos produtos de consumo mais vendidos no mundo e enorme fonte de lucro para seus fabricantes. O famoso cigarro oferecido no balcão do botequim há muito tempo é símbolo de um vício barato e cotidiano e foi atacando essa prerrogativa que a presidente Dilma Rousseff estabeleceu em 2011, novas regras para a taxação do produto. Na expectativa da redução de procura em consequência de aumentos que chegariam a 74% de carga tributária em 2015, talvez  não contasse com o crescimento da pirataria, que se deu pela procura de cigarros paraguaios e paralelos.
Hoje um “bom” maço cigarros chega a custar a metade do valor de um BOM charuto nacional e sabendo como nosso bolso reage a este vício, vamos falar do nosso organismo.

Até setecentos aditivos químicos podem fazer parte dos ingredientes utilizados na fabricação de cigarros, mas a lei permite que sejam mantidos em segredo, o que é contraditório com suas campanhas contra o tabaco que nos dão esta informação no verso das embalagens (maços), campanhas estas que por sua vez são financiadas pela carga tributária que incide sobre o produto. O.o Putz! Minha cabeça quase deu um nó agora.

Cigarro_campanha

Por essas e outras, camarada, lhe convido a fumar um bom puro. Não serei hipócrita a ponto de dizer que “o charuto é melhor porque não faz mal”, mas estamos falando sobre custo x malefício.

Não fumo cigarros mas costumo fumar de um a três charutos por semana, dependendo das oportunidades como ocasião, nível de stress ou boemia. Estes charutos muitas vezes custam menos do que a quantidade de maços de cigarros que minha sogra fumava em 48 horas. Por isso, prefiro deificar o meu simples ato de fumar tratando-o como uma degustação, por ser esta uma prática mais complexa e de nome mais apropriado.

Acho que o tabaco acaba se tornando a menor parte de um cigarro, mas se quer tabaco, encontre num charuto. No charuto, o trabalho realizado na planta é minucioso desde a sua semente até seu crescimento, sendo transportada entre solos, passando por longos processos de fermentação para retirada de propriedades químicas como amônia e nicotina e alcançando a qualidade do sabor e do aroma. Depois deste longo ritual, as folhas já próprias para produção são manuseadas por um torcedor que constrói cada exemplar, deixando amadurecer por um período para que haja um casamento perfeito entre os aromas daquele mix de folhas.

Com isto, note que falar sobre charutos é falar sobre pureza e primazia exaltando os cuidados para que um bom produto chegue ao consumidor, o que não significa que não agrida sua saúde. Porém, George Burns às vésperas do seu centenário disse, “Se eu tivesse seguido os conselhos do meu médico sobre parar de fumar, eu não teria vivido o suficiente para ir ao seu  funeral”.


 

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Amante das baforadas mais encorpadas há mais de 15 anos, Denis Neto também é designer, marqueteiro, ilustrador e empresário que está à frente da Boxis. Defensor dos modos mais loucos e simples da degustação, caga e anda para muitas das etiquetas e formalidades que envolvem o tão requintado rito de fumar um bom (ou ruim) charuto.


Os Boêmios 2016. Degustação complexa do modo simples.

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