A cinza do charuto deve cair sozinha…

Aos que ainda não imergiram no mundo dos charutos pode parecer muito estranho pessoas fumando com longas cinzas a perdurar na ponta da brasa. A visão pode ser até mesmo perturbadora, quando aquele monte de cinza compactada promete cair ao mais leve toque de uma brisa. Mas acalme-se! Pode ser uma boa cinza.

 

A cinza deve cair sozinha. Há quem conheça as regras e benefícios de se usar esta prática eficientemente, mas também há quem perca a mão na cautela e pareça um robô, desferindo movimentos lentos para preservar a integridade da cinza. Muitas vezes pude notar gente que preserva as cinzas dos seus charutos em locais públicos ou tabacarias, nitidamente esperando que notem o bom exemplar que está fumando – regra nº1: não seja tão babaca.

 

Nem tanto e nem tão pouco.

 

As cinzas refletem a qualidade das folhas e a habilidade usada no manuseio e construção tanto da capa, quanto do miolo. As maiores cinzas estão nos melhores charutos e por este fato, devemos respeitá-las. Além desta formalidade, a cinza conserva o calor do charuto, fazendo com que seja mais difícil que a brasa se apague naturalmente.

O que diferencia a cinza de um charuto de qualidade para os demais é principalmente a sua cor. Cinzas mais claras são fruto de bons processos de envelhecimento, com folhas de alcalinidade mais nivelada.

As boas cinzas atingem de 2 a 3 centímetros sem cair e conservá-la mais do que isso pode ser perigoso. Quando chegarem a esta escala, é aconselhável encostá-la no cinzeiro e deixar que ela repouse ali, sem golpear o charuto com “tapinhas de dedos”. Caso contrário podem ocorrer acidentes leves como sujeira nas roupas e até mesmo queimaduras caso atinjam a pele ou cabelos. Para alguns, o risco de que as cinzas atinjam seus copos é ainda mais aterrorizante.

 

Longas e marcantes cinzas.

 

Zino Davidoff cita em um pequeno trecho do seu livro, sobre um gentleman britânico a quem uma louca acusava de abusos. Ele mostrou ao policial uma longa cinza agarrada ao seu charuto, o que serviu para provar sua inocência.

Em outro caso muito famoso no Brasil, Oswaldo de Lia Pires, um advogado conhecido por suas performances nos tribunais, ludibriou o júri num julgamento na década de 70. Lia Pires apareceu no plenário com um charuto cuja cinza nunca caía. Enquanto o promotor falava, a atenção dos jurados voltava-se para aquela cinza, deixando-os apreensivos por sua queda. Depois que o réu foi absolvido, revelou-se um arame no interior do charuto.


 

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Avatar for Denis Neto

Amante das baforadas mais encorpadas há mais de 15 anos, Denis Neto também é designer, marqueteiro, ilustrador e empresário que está à frente da Boxis. Defensor dos modos mais loucos e simples da degustação, caga e anda para muitas das etiquetas e formalidades que envolvem o tão requintado rito de fumar um bom (ou ruim) charuto.


Os Boêmios 2016. Degustação complexa do modo simples.

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